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3 de mar. de 2010

Milão parte 2 - Tim Walker !!!

      Eu sempre adorei o trabalho do fotógrafo de moda inglês Tim Walker ( http://www.timwalkerphotography.com/ ), figurinha carimbada e habitué dos editoriais da Vogue e dono de um estilo surrealista que mistura fantasia e cenas improváveis com alta moda. E pra mim o fato de uma pessoa aos 25 anos de idade fotografar seu primeiro editorial Vogue, além de trabalhar com Richard Avedon, me dá mais do que motivos pra se tornar uma grande inspiração para mim. Sim, estou "rasgando seda" mas acho que o talento tem que ser reconhecido, e quem ainda não tinha ouvido falar dele, não perca essa chance agora.
     Pois bem, fiquei feliz da vida ao ver que enquanto eu ia estar em Milão estava tendo uma exposição dele em uma galeria de arte, e o melhor, essa era de graça! Óbvio que se tornou uma das paradas mais importantes do meu roteiro. E lá me fui.
     A exposição era na Galleria Carla Sozzani, que fica dentro do 10 Corso Como, um lugar sensacional e dos que mais gostei em Milão. O Corso Como é uma rua, tipo um calçadão, porque é fechada para carros, cheia de lojas legais e restaurantes de ambos os lados, e um dos points da noite de Milão para o pessoal mais "in". Mas o melhor fica no número 10, um antigo prédio industrial hoje transformado num espaço multi-funções que conta com galeria de arte, livraria (voltada à arquitetura, arte, moda e fotografia e que dá vontade de comprar tudo), loja de moda e design, um café/restaurante lindo de morrer com um pátio interno maravilhoso e ainda um hotel super exclusivo. Lá eles aplicam a filosofia "slow shopping" que basicamente é esquecer da vida e perder-se entre as estantes, araras, prateleiras, enquanto toma um café, depois de olhar uma das tantas exposições de alta qualidade que passam por lá. Tudo isso num ambiente integrado no qual se passa de um espaço a outro sem nem se dar conta. Porto Alegre carece de lugares assim, isso é certo... Mas deixando o lado arquiteta de lado e voltando ao Tim Walker, que por sinal segue exposto lá até dia 7 de março, se estiver por lá não perca! 
     Sua mostra começava com a pessoa sendo recepcionada pelo esqueleto gigante e muy simpático da foto abaixo... Isso porque além de fotos o visitante podia ver objetos usados em seus trabalhos, e -devo dizer- eram objetos muito doidos, quem pensa em usar isso numa foto de moda?


"Bem vindos, hahahaha!!!"

     Além do nosso amigo havia também caracóis, que parecem estar muito na moda em Milão no momento (depois mostro o por quê) e não digo como comida... 




     É legal ver de onde surge a inspiração do fotógrafo para as fotos, ainda mais quando estamos falando de trabalhos tão criativos e elaborados como os de Tim Walker, que faz questão de realmente criar os cenários fantásticos de suas fotos e não só usar o photoshop pra isso... Na foto acima temos anotações, imagens de referências, provas de fotos, etc. Um lado bem pessoal de seu trabalho!



Gatos coloridos? Sim, da série "animais pastéis", já vi uma foto que ele fez isso com pombas também... só espero que não vire moda, pobres bichinhos!



"Hasta la vista, baby!!!"

     Uma amostrinha da livraria-delícia que fica ao lado da galeria...


    E, como eu prometí, a razão pela qual os caracóis devem estar na moda em Milão... (minha mãe teria um ataque, o que eu tenho de pavor de barata ela tem de lesmas...)

Fotos da praça na frente do famoso Teatro Scala

16 de fev. de 2010

O mestre Steve McCurry em Milão!

     Bendita Ryanair, conhecida por alguns como "el bus volante" mas perfeitamente aceitável e vantajosa para mim. Aonde mais eu conseguiria passagem de ida e volta Barcelona-Milão, com taxas, por 8 EUR, eu disse, OITO !?! Viajar de novo não estava nos meus planos agora, não por falta de vontade, essa eu sempre tenho, e sim por falta de recursos... Mas assim ficou impossível não ir. E como me disseram que Milão não tinha muito o que ver, que quatro dias na cidade é muito, catei uma passagem baratinha de trem e fui parar em Veneza, na melhor época possível, o incrível carnaval. Mas isso é assunto para outro post, comecemos por Milão.
     Tenho a mania de sempre organizar um roteirinho de viagem quando vou conhecer um lugar novo, para otimizar meu tempo e aproveitar o máximo possível a estada, ainda que sempre deixe um tempinho livre para perder-me pela cidade e descobrir aquelas coisas que não se encontram nos guias. Dessa vez, depois da experiência parisina de descobrir várias mostras legais de fotografia espalhadas pela cidade, não quis dar bobeira e resolvi pesquisar antes o que estava acontecendo por Milão em termos de mostras de fotografia e arte, e cheguei a dar pulinhos de alegria com o que descobri: exposições dos fotógrafos Steve McCurry, Tim Walker e do artista plástico mundialmente conhecido e pop Roy Lichtenstein! Iuhuuu!!!
     Minha primeira parada e primeiro post então vai para o Steve McCurry, que está exposto no Palazzo della Ragione, pertinho da Piazza del Duomo, o lugar mais visitado de Milão. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, basta mostrar sua foto mais conhecida, capa da National Geographic e mundialmente famosa, de uma menina afegã, fotografada em 1985, que tem um olhar assustadoramente penetrante. Mas depois de ver a mostra eu penso que mesmo sendo maravilhosa é uma pena que essa seja sua foto mais conhecida. Steve McCurry foi um mestre dos retratos e da antropologia, fotografando normalmente em lugares como Índia, Tibet, Ásia, Japão, retratando as pessoas e seus mundos, nos ensinando sobre costumes e sociedades com as quais não temos tanto contato e que são muitissimo interessantes e belas, mesmo com guerras, conflitos e pobreza. 


- sua foto mais conhecida, National Geographic, 1985 - 

        Se alguém está pensando em fazer uma exposição de fotografia deveria se inspirar nessa. Além do trabalho sensacional do fotógrafo, a instalação era muito bem feita, criativa, lúdica, belíssima, se utilizando de suportes de madeira e telas negras semi-transparentes para pendurar as ampliações, num espaço histórico lindo, criando uma atmosfera mágica, não sei quanto tempo fiquei olhando a  mostra, mas foi bastante. Olhava uma foto, ia para a próxima, voltava para aquela imagem, tão linda e forte em tudo que transmitia. Realmente, uma experiência maravilhosa. (clique nas fotos para vê-las em tamanho gigante)



A mostra é dividida em 6 temas: Retrato, Guerra, Alegria (pós-guerra), Infância, Beleza e Outro. 








- entrada da mostra - 

  Acho interessante falar um pouquinho da história do Steve McCurry, que morreu em 2009. Ele nasceu na Pensilvânia, Estados Unidos, em 1950. Começou estudando cinema e se graduou em teatro. Sua carreira fotográfica começou quando ele passou a tirar fotos para o jornal da universidade. Depois disso fez a cobertura da guerra soviética no Afeganistão, disfarçado de nativo e com filmes costurados nas suas roupas para não se fazer notar. Esse trabalho lhe rendeu a medalha de ouro Robert Capa pela melhor reportagem fotográfica internacional. Em 1986 passou a fazer parte da agência Magnum, e nunca deixou de cobrir os conflitos internacionais, mas fugindo do que se espera de "fotografia de guerra". Suas fotos são coloridas, sinceras, e belas, ainda que retratem a realidade muita vezes dura desses países. McCurry também foi o único fotógrafo a ganhar quatro prêmios World Press Photo em um mesmo ano, além de vários outros prêmios de fotojornalismo. Nos seus últimos anos publicou diversos livros, dava workshops em Nova York e fez uma extraordinária cobertura do Ground Zero, lugar dos atentados de 11 de setembro. Suas fotos estão expostas em diversas galerias de todo o mundo.
   Site da mostra, que pra minha sorte foi prorrogada, pois estava prevista para acabar dia 31 de janeiro:  www.stevemccurrymilano.it (fala sobre a exposição e cada uma das obras expostas).
     Site do fotógrafo: www.stevemccurry.com