12 de mar. de 2010

Momento mulherzinha

      Aproveitando que ainda estamos na semana da mulher (semana? não era dia? e alguém aí disse mês??) vou aproveitar a desculpa para falar de uma das mulheres mais famosas do mundo, que mesmo aos 50 anos continua com corpinho de 20, tem um dos guarda-roupas mais invejados, e uma coleção de sapatos inacreditável. Com vocês, a Barbie!

    Vocês devem estar se perguntando o que a Barbie tem a ver com fotografia. Será porque ela já homenageou nossa profissão? Ou porque ela tem uma linha da câmeras fotográficas? Ou porque ela é uma das "personalidades" mais fotografadas da história, um ícone de moda? Ou porque todos querem ser a Barbie (inclusive Angelina Jolie)?




    Não, além de tudo isso, o meu post é por causa do livro lançado por Christian Louboutin, famoso designer de sapatos, onde ele aparece contracenando em fotos com a nossa loira. O livro se chama "My year in Paris" e conta com fotografias imaginárias/realistas da boneca mais fashion do mundo em trajes impecáveis e sapatos mais ainda. Bobinho, eu sei, mas divertido! Além disso o dia está feio, frio, e eu não estou com cabeça pra ser "cult". Quero o conforto da infância...




























     Além disso, porque eu acho que num blog fotográfico "sério" (a gente tenta!) seria demais 2 post sobre a Barbie, vou aproveitar esa oportunidade para mostrar uma provinha do editorial em que ela participou com um Ken de verdade, o modelo Baptiste Giacobini, fotografado por ninguém menos que Karl Lagerfeld!







    Tá com tudo, hein? 

P.S.: Coisa feia, não botei os créditos das fotos, mas esse é o mal da internet, as imagens se difuminam e o autor fica no esquecimento... vou buscar e logo posto aqui! 

10 de mar. de 2010

Um inovador e refrescante olhar sobre as mulheres

     Uma homenagem levemente atrasada ao dia da mulher... Outro dia estava lendo a Elle espanha e me deparei com uma fotógrafa sensacional. A Elle daqui é muito boa, sempre traz muitas reportagens sobre arte, cultura, viagens, e ainda custa barato (EUR 1,90 ! Por quê as revistas -e os livros- são tão caros no Brasil???). Virei fã, compro todo mês e vou ter que fazer espaço na mala, porque elas com certeza embarcarão comigo para o Brasil.
     Bom, essa fotógrafa canadense radicada em Roma se chama Sheila McKinnon e depois de se formar em história da arte e desenho começou a trabalhar com fotografia de moda. Em 1996 um trabalho a levou a ter contato com o que viria a se tornar sua verdadeira paixão e ponto forte de seu trabalho, diferenciando-a dos demais: captar a vida nos países pobres. Daí surgiu uma exposição itinerante na Itália que atualmente se encontra em Munique - espero que venha para Barcelona!
     O que me impressionou no trabalho de Sheila foi seu olhar sobre essas mulheres que vivem em condições precárias, sob um regime machista e castrador, sem muitas opções na vida a não ser viver o que se espera delas. São as chamadas "Mulheres Invisíveis , que apesar de terem uma vida muito pobre e podada, programada de antemão e controladas pelos homens, sem direito sequer à educação, ainda assim possuem uma energia poderosíssima, uma grande determinação em conseguir sustento, alimentar seus filhos y cuidar dos demais ", diz a fotógrafa. É essa energia, essa beleza que toda mulher tem, não importa a raça, classe ou cultura, que Sheila capta com maestria através de suas lentes. Suas fotos são frescas, alegres, extremamente coloridas e vivas. Ela não mostra a pobreza, a tristeza, a frustração, a injustiça que sempre encontramos quando nos deparamos com fotos desse tema, e sim aquele lado mais especial que essas mulheres possuem, seu valor como ser humano, sua garra, sua beleza toda especial. 
      Posto aqui algumas imagens dessa sensacional mulher, que conseguiu através de suas fotos um ponto de vista tão agradavelmente inovador e pouco visto de um tema tão fotografado. 













(essa é uma das que mais gosto...)

         Site da fotógrafa, imprecindível uma visita:  http://www.sheilamckinnon.com/

      Feliz dia das mulheres para todas nós, sexo "frágil" (quem diz isso nunca aguentou uma cólica menstrual!!!) 

3 de mar. de 2010

Milão parte 2 - Tim Walker !!!

      Eu sempre adorei o trabalho do fotógrafo de moda inglês Tim Walker ( http://www.timwalkerphotography.com/ ), figurinha carimbada e habitué dos editoriais da Vogue e dono de um estilo surrealista que mistura fantasia e cenas improváveis com alta moda. E pra mim o fato de uma pessoa aos 25 anos de idade fotografar seu primeiro editorial Vogue, além de trabalhar com Richard Avedon, me dá mais do que motivos pra se tornar uma grande inspiração para mim. Sim, estou "rasgando seda" mas acho que o talento tem que ser reconhecido, e quem ainda não tinha ouvido falar dele, não perca essa chance agora.
     Pois bem, fiquei feliz da vida ao ver que enquanto eu ia estar em Milão estava tendo uma exposição dele em uma galeria de arte, e o melhor, essa era de graça! Óbvio que se tornou uma das paradas mais importantes do meu roteiro. E lá me fui.
     A exposição era na Galleria Carla Sozzani, que fica dentro do 10 Corso Como, um lugar sensacional e dos que mais gostei em Milão. O Corso Como é uma rua, tipo um calçadão, porque é fechada para carros, cheia de lojas legais e restaurantes de ambos os lados, e um dos points da noite de Milão para o pessoal mais "in". Mas o melhor fica no número 10, um antigo prédio industrial hoje transformado num espaço multi-funções que conta com galeria de arte, livraria (voltada à arquitetura, arte, moda e fotografia e que dá vontade de comprar tudo), loja de moda e design, um café/restaurante lindo de morrer com um pátio interno maravilhoso e ainda um hotel super exclusivo. Lá eles aplicam a filosofia "slow shopping" que basicamente é esquecer da vida e perder-se entre as estantes, araras, prateleiras, enquanto toma um café, depois de olhar uma das tantas exposições de alta qualidade que passam por lá. Tudo isso num ambiente integrado no qual se passa de um espaço a outro sem nem se dar conta. Porto Alegre carece de lugares assim, isso é certo... Mas deixando o lado arquiteta de lado e voltando ao Tim Walker, que por sinal segue exposto lá até dia 7 de março, se estiver por lá não perca! 
     Sua mostra começava com a pessoa sendo recepcionada pelo esqueleto gigante e muy simpático da foto abaixo... Isso porque além de fotos o visitante podia ver objetos usados em seus trabalhos, e -devo dizer- eram objetos muito doidos, quem pensa em usar isso numa foto de moda?


"Bem vindos, hahahaha!!!"

     Além do nosso amigo havia também caracóis, que parecem estar muito na moda em Milão no momento (depois mostro o por quê) e não digo como comida... 




     É legal ver de onde surge a inspiração do fotógrafo para as fotos, ainda mais quando estamos falando de trabalhos tão criativos e elaborados como os de Tim Walker, que faz questão de realmente criar os cenários fantásticos de suas fotos e não só usar o photoshop pra isso... Na foto acima temos anotações, imagens de referências, provas de fotos, etc. Um lado bem pessoal de seu trabalho!



Gatos coloridos? Sim, da série "animais pastéis", já vi uma foto que ele fez isso com pombas também... só espero que não vire moda, pobres bichinhos!



"Hasta la vista, baby!!!"

     Uma amostrinha da livraria-delícia que fica ao lado da galeria...


    E, como eu prometí, a razão pela qual os caracóis devem estar na moda em Milão... (minha mãe teria um ataque, o que eu tenho de pavor de barata ela tem de lesmas...)

Fotos da praça na frente do famoso Teatro Scala

23 de fev. de 2010

Fotopres "La Caixa" 09

     Esse final de semana fui ver uma exposição de fotojornalismo espanhola, a Fotopres.É patrocionada pela Caixa Forum, um centro cultural muito legal aqui em Barcelona, perto de Montjuic, que sempre conta com diversas mostras, e a grande maioria delas, de graça.
     Como a maioria dos prêmios de fotojornalismo, o Fotopres é feito de imagens fortes, de denúncia social e realidade nua e crua. Guerra, conflitos, violência, não vá se está se sentindo deprimido. Eu me considero uma pessoa bastante forte pra esse tipo de coisa, pouca coisa realmente me choca (ao menos vendo através da tv e de fotografias, nunca tentei me meter no meio de uma guerra, creio que seria bastante diferente), mas uma das séries da mostra conseguiu me deixar com os olhos cheios d`água.
     O fotógrafo Emilio Morenatti ganhou o primeiro prêmio do Fotopres de 2009 com sua série de fotos sobre a violência de gênero no Paquistão. Lá, por mais inacreditável que seja o fato de que isso ainda aconteça livremente nos dias de hoje, é normal as mulheres serem atacadas com ácido, normalmente no rosto. E seus agressores não são vândalos, bandidos, mas seus próprios maridos, primos, pais, por motivos tão cotidianos como recusar uma proposta de casamento, não querer mais filhos ou querer mais filhos. Às vezes simplesmente por ter nascido mulher, como aconteceu com uma dessas mulheres, que teve o rosto completamente deformado pelo ácido quando tinha apenas cinco anos de idade. Seu agressor? Seu pai, que não queria mais uma menina. E mesmo denunciados todos eles continuam livres, vivendo uma vida normal, enquanto essas mulheres mesmo após submeter-se a mais de 25 cirurgias plásticas (as que conseguem meios para isso), perdem sua visão, sua dignidade, sua imagem, sua vida.
      Essas fotos realmente me deixaram mal. Eu nem consegui fotografar essa parte da mostra para mostrar aqui. Se alguém quiser buscar no google pelo nome do fotógrafo talvez encontre algo, mas eu aviso, prepare o estômago.São imagens realmente  fortes.
       O segundo prêmio foi do fotógrafo Walter Astrada, sobre a violência póseleitoral no Kênia. O terceiro prêmio foi para Alfonso  Moral e suas fotos sobre a guerra no Líbano. As outras séries foram resultados de becas dadas à fotógrafos, e são sobre temas variados, sociais, como os trangêneros no Pakistão, o lado não tão luxuoso e um pouco bizarro de Dubai, os imigrantes ilegais em Barcelona e um antigo salão de baile hoje decadente, entre outros. Ao todo são 9 séries fotográficas. Valeu a pena ver, eu pessoalmente gosto da fotografia bela, gosto de retratar as coisas bonitas, busco a perfeição e imagens que façam sentir bem, mas aprecio a coragem desses fotógrafos que arriscam sua segurança e enfrentam uma realidade terrível para que o resto do mundo saiba o que se passa fora de nossas casas, de nossa sociedade medianamente civilizada, para que escutemos o grito de socorro dessas pessoas que não têm a mesma sorte que nós, que lidam diariamente com a tragédia, a dor, a perda, a violência, a discriminação, a injustiça...




16 de fev. de 2010

O mestre Steve McCurry em Milão!

     Bendita Ryanair, conhecida por alguns como "el bus volante" mas perfeitamente aceitável e vantajosa para mim. Aonde mais eu conseguiria passagem de ida e volta Barcelona-Milão, com taxas, por 8 EUR, eu disse, OITO !?! Viajar de novo não estava nos meus planos agora, não por falta de vontade, essa eu sempre tenho, e sim por falta de recursos... Mas assim ficou impossível não ir. E como me disseram que Milão não tinha muito o que ver, que quatro dias na cidade é muito, catei uma passagem baratinha de trem e fui parar em Veneza, na melhor época possível, o incrível carnaval. Mas isso é assunto para outro post, comecemos por Milão.
     Tenho a mania de sempre organizar um roteirinho de viagem quando vou conhecer um lugar novo, para otimizar meu tempo e aproveitar o máximo possível a estada, ainda que sempre deixe um tempinho livre para perder-me pela cidade e descobrir aquelas coisas que não se encontram nos guias. Dessa vez, depois da experiência parisina de descobrir várias mostras legais de fotografia espalhadas pela cidade, não quis dar bobeira e resolvi pesquisar antes o que estava acontecendo por Milão em termos de mostras de fotografia e arte, e cheguei a dar pulinhos de alegria com o que descobri: exposições dos fotógrafos Steve McCurry, Tim Walker e do artista plástico mundialmente conhecido e pop Roy Lichtenstein! Iuhuuu!!!
     Minha primeira parada e primeiro post então vai para o Steve McCurry, que está exposto no Palazzo della Ragione, pertinho da Piazza del Duomo, o lugar mais visitado de Milão. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, basta mostrar sua foto mais conhecida, capa da National Geographic e mundialmente famosa, de uma menina afegã, fotografada em 1985, que tem um olhar assustadoramente penetrante. Mas depois de ver a mostra eu penso que mesmo sendo maravilhosa é uma pena que essa seja sua foto mais conhecida. Steve McCurry foi um mestre dos retratos e da antropologia, fotografando normalmente em lugares como Índia, Tibet, Ásia, Japão, retratando as pessoas e seus mundos, nos ensinando sobre costumes e sociedades com as quais não temos tanto contato e que são muitissimo interessantes e belas, mesmo com guerras, conflitos e pobreza. 


- sua foto mais conhecida, National Geographic, 1985 - 

        Se alguém está pensando em fazer uma exposição de fotografia deveria se inspirar nessa. Além do trabalho sensacional do fotógrafo, a instalação era muito bem feita, criativa, lúdica, belíssima, se utilizando de suportes de madeira e telas negras semi-transparentes para pendurar as ampliações, num espaço histórico lindo, criando uma atmosfera mágica, não sei quanto tempo fiquei olhando a  mostra, mas foi bastante. Olhava uma foto, ia para a próxima, voltava para aquela imagem, tão linda e forte em tudo que transmitia. Realmente, uma experiência maravilhosa. (clique nas fotos para vê-las em tamanho gigante)



A mostra é dividida em 6 temas: Retrato, Guerra, Alegria (pós-guerra), Infância, Beleza e Outro. 








- entrada da mostra - 

  Acho interessante falar um pouquinho da história do Steve McCurry, que morreu em 2009. Ele nasceu na Pensilvânia, Estados Unidos, em 1950. Começou estudando cinema e se graduou em teatro. Sua carreira fotográfica começou quando ele passou a tirar fotos para o jornal da universidade. Depois disso fez a cobertura da guerra soviética no Afeganistão, disfarçado de nativo e com filmes costurados nas suas roupas para não se fazer notar. Esse trabalho lhe rendeu a medalha de ouro Robert Capa pela melhor reportagem fotográfica internacional. Em 1986 passou a fazer parte da agência Magnum, e nunca deixou de cobrir os conflitos internacionais, mas fugindo do que se espera de "fotografia de guerra". Suas fotos são coloridas, sinceras, e belas, ainda que retratem a realidade muita vezes dura desses países. McCurry também foi o único fotógrafo a ganhar quatro prêmios World Press Photo em um mesmo ano, além de vários outros prêmios de fotojornalismo. Nos seus últimos anos publicou diversos livros, dava workshops em Nova York e fez uma extraordinária cobertura do Ground Zero, lugar dos atentados de 11 de setembro. Suas fotos estão expostas em diversas galerias de todo o mundo.
   Site da mostra, que pra minha sorte foi prorrogada, pois estava prevista para acabar dia 31 de janeiro:  www.stevemccurrymilano.it (fala sobre a exposição e cada uma das obras expostas).
     Site do fotógrafo: www.stevemccurry.com

30 de jan. de 2010

Paris, cité de la photographie!!! - Parte 3

     Finalmente o último post da saga Paris. Deixei para depois porque assim sou obrigada a revisitar as fotos e relembrar a viagem... Agora, matar a saudade, só voltando mesmo!
  Uma coisa que adorei em Paris é que a fotografia está em todo lugar. E não digo só porque não importa para onde olhes, vai ter alguém com uma câmera na mão. Paris valoriza a fotografia como nenhuma outra cidade, que eu saiba (ok, eu não conheço todas as cidades, então posso estar falando besteira, mas essa foi a impressão que tive). Aliás, isso não é só Paris, os franceses possuem uma cultura fotográfica sensacional, algumas das melhores escolas de fotografia do mundo estão na França e a cidade de Arles tem um festival anual de fotografia que recebe apaixonados e fotógrafos do mundo inteiro (depois faço um post sobre isso, se Deus quiser, direto de Arles). 
   Caminhando por Paris, nos lugares menos esperados me deparava com exposições de fotografia. Ao ar livre, numa grade, numa loja, queria muito ter passado mais tempo para explorar mais esse lado criativo e maravilhoso da cidade. É realmente uma surpresa deliciosa e um exemplo de que a fotografia pode e deve estar mais acessível a todos. Há tantos fotógrafos talentosos por aí dos quais não temos conhecimento! Se ensina sobre arte nas escolas e faculdades, mas de fotografia não se fala. Por quê? Por que não disponiblizar ao cidadão que sai todo dia de casa para trabalhar uma mostra de fotografia nas paredes do metrô? Por que não tirar as fotografias das galerias e workshops e trazê-las para as ruas, para o cotidiano, para a vida diária e assim criarmos a cultura da fotografia, afinal quase todos possuem uma câmera em casa, nem que seja para fotografar o aniversário do filho e as férias de família. Já quantos possuem um cavalete, pincéis e tintas? A fotografia conquista pessoas de todas as raças, idades e classes econômicas. A fotografia não discrimina. E eu tive a prova mais que concreta disso ao ver que o tipo de pessoas que paravma para olhar as mostras de foto espalhadas por Paris não poderia ser mais diversificado!

   Aqui uma mostra das exposições de fotografia que encontrei pelo caminho:

- Em Bercy Village - 

   Em Bercy Village estava tendo a mostra "Instants Merveilleux en Savoie Mont Blanc", com 47 fotos de quatro grandes fotógrafos de natureza : Eric Anglade, Antoine Berger, Didier Givois e Gilles Lansard. Depois buscando mais sobre o assunto descobrí que lá é costume fazerem exibições de fotos. Pra quem não conhece, Bercy Village é uma área de antigos armazéns que eram utilizados para armazenar vinho e que foram restaurados, abrigando hoje em dia ótimos bares, restaurantes e lojas. Menos turístico que o resto de Paris, é uma ótima opção para jantar ou só tomar um drink! 


        - grade dos Jardins de Luxemburgo - 





  Infelizmente a pateta aqui não anotou na hora o nome da exposição nem do fotógrafo... que lapso terrível! Mas essas fotos estavam expostas ao ar livre, na parte exterior das grades dos Jardins de Luxemburgo, havia muitas, acho que em torno de 60 imagens. Eu estava com as minhas amigas nessa hora, deixei pra buscar os dados depois... e não encontrei na internet! Perdão por isso, caros leitores. Mas na próxima vez que alguém vá a Paris, além de museus e monumentos, preste atenção nos lugares menos esperados... eles guardam as melhores surpresas!

21 de jan. de 2010

O lado oculto

   No meu pós me pediram pra fotografar retratos. Não só a mim, claro, a todos da turma. O problema é que eu sou terrível com retratos. Posso fotografar tudo com o maior prazer, mas fazer retratos me deixa... nervosa. Tenho medo de gente. Morro de vergonha de chegar pra um desconhecido e apontar minha câmera pra cara dele... ou pior ainda, ter que conversar e pedir permissão... e se fotografo de longe e a pessoa vê, tenho que me segurar pra não ir lá correndo, me ajoelhar e pedir mil desculpas por estar invadindo a privacidade dela, ou pior ainda, sair correndo pro lado oposto, câmera na mão, como uma trombadinha. 
    E o engraçado é que fotos de moda eu gosto! Não tenho problema de fotografar um modelo, porque a pessoa está mais do que acostumada, eu sei que ela quer estar alí, é o trabalho dela, assim como fotografar é o meu. E foto de moda é mais arte, é atuação, é teatro, já o retrato é realidade, é dureza... não sei porque isso me assusta tanto, e faz o ponteiro da minha auto-crítica ir lá pra cima, mas a verdade nua e crua é que sofro com retratos...
    Sexta passada saí pra tentar fazer umas fotos. Claro que tinha muita coisa interessante pelo caminho,  afinal, estou em Barcelona, mas tentei me focar em pessoas.... e acabei fotografando cachorros. Com pessoas, ok, mas o principal da foto são os cães. Essas até que não achei de todo mal... Já os retratos... Esperei 2 dias pra ter coragem de olhar as fotos. Quando finalmente fui vê-las, não encontrei nenhum que me convencesse. "Esse tá fraco... esse é clichê... clichê.... pobre... fraco... perdí o momento... mais clichê". Tenho uma implicância com a fotografia de retratos, acho que tudo é clichê. É raro um retrato que me impressione. Mas talvez eu esteja buscando nos lugares errados...
     E aí, hoje estava lendo um livro sobre o Man Ray (tentando aprender algo com quem entende da coisa... já devorei o do Robert Doisneau também). E tive uma inspiração súbita baseada na estética de suas fotos, que até hoje em dia, de clichê não tem nada. Resolvi pegar 3 fotos "clichê" que eu havia tirado e que pra mim careciam de algo que as tornasse especiais, e fazer um experimento. Não sei se ainda se pode qualificar como retratos... mas a fotografia tem o bom de ser subjetiva, então aí vai:









    Não são obras de arte, nem grandes idéias inovadoras, e foi bastante simples chegar a esse resultado, obviamente. Mas não sei, achei que assim, ao contrário, elas ficaram mais interessantes... Não se diz que tudo tem dois lados? ;)

15 de jan. de 2010

A vida imita a arte, e a ilustração imita a fotografia!

     Pesquisando sobre um ilustrador que eu gosto muito, o britânico Jason Brooks (www.jason-brooks.com) descobrí uma ilustração recente dele que na hora ativou a minha memória. É um desenho feito para a capa de um cd do selo de música eletrônica Hed Kandi - muito bom por sinal. Brooks trabalha com a Hed Kandi há anos, e na verdade eu descobrí a gravadora porque me encantei pela ilustração na capa do cd. Seus desenhos são inconfudíveis e exaustivamente copiados, e seu estilo se tornou uma inspiração para milhares de ilustradores digitais. O desenho em questão vale um post por ser claramente inspirado em uma foto da Gisele Bundchen, fotografada pelo mestre Mario Testino para a capa da Vanity Fair de setembro de 2007. Eu não conseguí a ilustração em tamanho maior, mas acho que vocês podem perceber as semelhanças...


 - capa da Vanity Fair... - 



- ... e a ilustração de Jason Brooks! -

     Fiquei curiosa sobre o assunto, foi surpreendente descobrir que até mesmo um gênio da ilustração como Jason Brooks  busca inspiração em algum lugar... (nesse caso, quase um plágio!). Tentando descobrir se havia mais algum desenho dele inspirado em foto real, descubro um anúncio de uma empresa americana de cosméticos, a Jergens, não muito conhecida no Brasil. Bingo!!! Mais uma referência claríssima!



- a campanha da Jergens... - 



- ... e a ilustração, mais uma vez para Hed Kandi! -

      Não sei se é a Hed Kandi que encomenda e sugere o lay-out, ou se é o próprio Jason Brooks que tem as idéias, nem se há outros desenhos inspirados em fotos, mas o fato é que não me sentirei mais culpada e achando que sou uma fotógrafa sem criatividade por buscar fotos como referências para meu próprio trabalho, principalmente retratos, que não são meu forte... Claro que não tão descaradamente!!! Ainda assim continuo adorando o trabalho desse ilustrador, e desejando ter toda a coleção dos cds maravilhosos da Hed Kandi!

14 de jan. de 2010

Série "Filmes fotográficos" - Vicky Cristina Barcelona

    Resolvi criar uma série de posts sobre filmes que tratem ou tenham a ver com a fotografia e/ou com o mundo dos fotógrafos. Tenho alguns em mente, mas não são muitos, então se vocês tiverem sugestões, por favor me enviem, seria uma ótima contribuição!
    Vou começar com um que só pelo título já tem muito a ver comigo: Vicky Cristina Barcelona, dirigido por Woody Allen, com Javier Barden, Penelope Cruz, Scarlett Johansson e Rebecca Hall, e ambientado em Barcelona. Eu sou Vick e estou em Barcelona, e embora a fotógrafa do filme seja a Cristina, eu me identifico muito com ela em sua busca por auto-conhecimento e descoberta da paixão pela fotografia como algo mais que só um hobby. Além do mais,  Barcelona é uma cidade ótima para se desenvolver a fotografia, há lugares lindos e pessoas interessantíssimas, de todas as idades, etnias e estilos.
    Para quem ainda não assistiu, o filme trata da história de duas amigas americanas que vêm passar férias em Barcelona. Vicky (pensa que) sabe muito bem o que quer da vida, vem estudar a cultura catalã para terminar seu master e está noiva. Já Cristina tinha acabado de terminar um namoro, dirigido e atuado num filme que ela agora odeia e se sente um pouco incompreendida e perdida, como uma pessoa que sabe que tem um grande potencial criativo mas não sabe como expressar-se. É aí que ela encontra a fotografia como forma de expressão e de satisfação pessoal, e nesse ponto o filme podia ser quase auto-biográfico, pois eu também comecei a fotografar num período de crise existencial e buscando uma forma de expressar meus sentimentos. Algumas pessoas pintam, outras compõem, os fotógrafos tiram fotos numa busca por transmitir em uma imagem sentimentos que não conseguem expressar por si mesmos. A fotografia pode ser uma grande arma na busca do auto-conhecimento, além de um estilo de vida. 
    Claro que o filme também enfoca outras coisas, ambas as amigas se envolvem com um artista plástico espanhol, sedutor e ainda ligado à sua ex-mulher linda e emocionalmente instável... mas eu não vou contar todo o filme, o melhor é assistir-lo! 



  Penélope Cruz e Scarlett Johansson em uma cena do filme 


      Minha intenção aqui não é escrever uma crítica sobre o filme, até porque nesse ponto sou completamente leiga, não entendo de cinema e só posso julgar pelo meu gosto pessoal. Mas seria interessante sugerir filmes que mostrem a fotografia, ou a vida de fotógrafos, e quem sabe, debatermos um pouco sobre essas idéias. Por isso peço a participação de vocês: comentem, opinem, dêem sugestões, com certeza serão muito bem vindas! Um feedback é sempre uma boa, ao menos para dizerem se estão gostando do blog ou não!