8 de jul. de 2010

Preconceito no mundo fotográfico

   Essa semana tive a oportunidade de fotografar um desfile de um conhecido estilista gaúcho. O desfile foi lindo, as roupas de tirar o fôlego, uma produção ótima, e no final da passarela o costumeiro grupo de fotógrafos a postos para registrar cada look. Ok, se se tratasse de uma semana de moda de Milão, uma SPFW, até entendo que o espaço é disputado e todos querem a melhor posição, central, para suas fotos. Mas nesse desfile havia espaço de sobra para os fotógrafos que alí se encontravam, eu incluída. Não havia a necessidade de grosseria. Ou assim eu pensava.

    Um fotógrafo com mais experiência profissional que eu (em anos de trabalho - e de vida) cujo nome obviamente não vou citar aqui, estava ao meu lado. Carregava uma câmera Nikon ou Canon, pra variar, e uma lente teleobjetiva estilo canhãozinho. Sentou-se num degrau para fazer suas fotos. Justo ao seu lado tinha uma pessoa filmando o desfile, câmera num tripé. Para não ficar tão de canto me situei abaixo da filmadora e ao lado do tal sujeito. Só que o meu erro, pelo visto, foi não possuir uma super lente tele. Isso imediatamente significou que eu não era uma profissional, só uma guria qualquer metida a fotógrafa, e portanto não merecia um bom ângulo para fotografar. Nem o respeito dele. Quando estava no meio de uma foto, câmera em posição, sinto um empurrão na perna. Olho pra baixo, surpresa, ele estava fotografando, imaginei que teria batido em mim sem querer, mesmo assim cheguei um pouco mais para o lado, ainda que eu não estivesse de modo algum obstruindo sua visão, mais ainda porque ele estava com a tele e seu ponto de foco estava bem adiante. Dalí a 5 min, um empurrão mais forte e quando olhei para baixo ele murmura algo e faz um gesto com a mão, me enxotando, como quem afasta um gato vira-lata abusado do Café do Lago que chegou perto demais do seu waffle. 
    Fiquei tão chocada com a falta de respeito daquele senhor que somente cheguei para o canto, perdendo o melhor enquadre das fotos, e não falei nada. A música alta e a ação se desenrolando me impediram, e eu também faço de tudo para evitar uma briga, ainda mais com uma pessoa do mesmo ramo profissional que eu. Sim, eu estou começando agora. Não, eu não sou conhecida, eu não dei entrevista para jornal, eu não conheço pessoas influentes da sociedade Portoalegrense (que, regionalismos à parte, é uma sociedade ainda bastante provinciana e baseada em sobrenomes "importantes" e status social, muitas vezes esquecendo da educação e respeito aos que não fazem parte do grupinho). Mas eu tenho educação, eu tenho uma pós-graduação na Espanha, eu tenho conhecimento de fotografia e eu tenho talento e um bom olho. Realmente é justo me julgar - e me descartar - porque eu não carrega uma super câmera e uma lente canhão último modelo? Porque a minha câmera é uma Sony, ainda que das últimas lançadas e melhor que muita Canon e Nikon por aí (e falo com conhecimento de causa, por já ter feito testes e comparado resultados)? 
   Então terminou o desfile, e ainda assim eu não o confrontei. As fotos já tinham sido feitas, eu tinha pessoas com quem falar, um estilista a cumprimentar. E eu não quis um confronto na frente das pessoas. Talvez eu tenha agido errado. Talvez eu tenha sido covarde. E eu me deixei intimidar por aquele homem, pela autoridade que ele passava. Até chegar em casa e buscar seu nome na internet, encontrar seu site e conferir o seu trabalho. E descobrí que não, ele não é melhor que eu. Ele pode ter uma lente melhor, talvez uma câmera melhor, eu não me lembro do modelo. Ele pode ter mais tempo de trabalho que eu. Mas suas fotos não são melhores que as minhas. Ele não tem o talento que eu tenho. Se ele fosse mesmo um cara tão bom, ele saberia que é uma estupidez julgar um fotógrafo pelo equipamento que ele utiliza, que muitos dos grandes fotógrafos que conhecemos começaram com câmeras simples e mesmo depois de possuir condições de ter um equipamento de última geração eram perfeitamente capazes de fazer fotos incríveis com uma simples compacta, e o fizeram. E o mais irônico disso tudo é que é a primeira vez que eu consigo dizer em voz alta, mais, escrever aqui, para quem quiser ler, que eu realmente tenho talento, que eu sou boa no que faço, que minhas fotos são notáveis. Que eu mereço me valorizar e valorizar meu trabalho sem me encolher para qualquer um com credenciais mais tarimbadas que as minhas e um ar arrogante na cara.




    ... Acho que no fim até as coisas ruins têm mesmo seu lado bom...

2 de jul. de 2010

...

    Impressionante como em 72 horas minha vida virou de cabeça para baixo. Num minuto eu estava em Mallorca, encantada com aquele paraíso, aquelas praias de sonho, o mar do azul mais incrível, e de repente uma notícia muda toda minha vida, ceifa meus planos e me faz voltar desesperada ao Brasil, rezando para que ainda seja em tempo, que não seja tarde demais. 
   Cheguei justo a tempo de me despedir dele, meu avô amado, responsável por muitos dos melhores momentos da minha vida, a infância mais especial, viagens e piqueniques, histórias antes de dormir, almoços regados à gargalhadas, passeios no shopping e mimos, e o mais importante, amor e carinho constante, incondicional...
   Eu não estava pronta para isso. Eu esperava ter mais tempo com ele. Tantas coisas para dizer, tanto a contar, dividir, perguntar, mostrar. Uma vida inteira grudados, sempre tão próximos, e justo quando eu fico 9 meses longe, a primeira e única vez na minha vida que faço isso, ele se vai. Não dá pra descrever o que eu sentí.

    Então, isso quer dizer que estou de volta ao Brasil, de vez, não serei mais Vick Barcelona, mas pretendo continuar escrevendo aqui, não com notícias do mundo fotográfico europeu, mas no Brasil também se está fazendo muita coisa interessante na área da fotografia e eu pretendo continuar informando meus leitores, além de mostrar algumas das fotos acumuladas nesse tempo todo fora, e são muitas! As que vou botar aqui agora são em homenagem a meu querido avô, que foi o melhor avô do mundo, sem dúvidas. Ele sempre foi muito católico, e essas imagens mostram um pouco disso, a fé, orações, Deus. Essas são para tí, Farjat. Espero que de onde estejas me vendo nesse momento, isso te faça feliz. 

   Que descanses em paz. Te amo e sentirei tua falta cada dia de minha vida.




















3 de jun. de 2010

Livro de fotografia - uma dica legal

      Estava há tempos cobiçando esse livro, principalmente pela parte que dá dicas sobre como ganhar dinheiro vendendo as fotografias de viagem que se faz (falou em ganhar dinheiro, tem minha atenção, que a coisa tá feia...). Aí esses dias finalmente comprei, depois de um "paitrocínio" (valeu, pai!).
    O livro se chama "Fotografia de Viagem" da editora Lonely Planet (que faz uns guias ótimos, por sinal). É escrito pelo fotógrafo Richard I`Anson e cobre tudo que se pode imaginar, desde que equipamento levar numa viagem, como organizar as fotos, sugestão de temas e como retratá-los, preparação da viagem, roteiro, dicas de segurança, etc, etc, etc. Tem quase 400 páginas, e acho que vou demorar para lê-lo todo porque é o tipo de leitura que vale a pena prestar atenção, ir aprendendo mesmo.
     Além desse livro, a editora ainda tem três outros guias de fotografia: "Fotografia de Viagem - Vida Selvagem" - esse deve ser bastante interessante, eu sempre quis fazer parte da equipe da National Geographic Magazine (sonho, né) - "Fotografia de Pessoas" e "Fotografia de Viagem Urbana". Por mais absurdo que pareça eu não achei se esses livros estão disponíveis em português, e olha que não sou tão taipa para pesquisar, sou até bem boa em obter todo o tipo de informação com o Sr. Google... O que eu comprei está em espanhol,e eu já ví em inglês também, por isso se alguém se interessou vale dar uma ligada pra uma livraria aí no Brasil e ver se eles têm...

   
      Ah, uma coisa legal é que a Lonely Planet também possui uma agência de fotografia, a Lonely Planet Images - http://www.lonelyplanetimages.com/ - que funciona como uma Stock Fotos. Se você for muito bom, mas muito bom mesmo, pode conseguir vender fotos para eles! (Mas muito bom mesmo, porque o banco de imagens deles é sensacional, vale olhar nem que seja para se inspirar antes de sair clicando numa próxima viagem!)

    Fica a dica, depois escrevo sobre outros livros de/com  fotografias legais, assim que conseguir achar uma empresa pra enviar todos os livros que comprei aqui pro Brasil, senão vou pagar um excesso de peso que vai sair mais caro que todos eles juntos... Quem manda ser traça assumida/obsessiva por livros?! Preciso passar longe das livrarias daqui até eu voltar!

24 de mai. de 2010

O fim de uma era, o início de outra...

   Ok, talvez o termo "era" seja um pouco exagerado, afinal meio ano não corresponde à uma era, cronologicamente, ainda que em nosso calendário interno um dia pode durar meses e uma semana passar em um segundo. Aqui dentro de mim o que acontece é que o tempo anda se comportando de forma bastante estranha. Cheguei aqui em Barcelona dia 19 de setembro de 2009, e me lembro como e fosse ontem, tudo o que eu sentí, como meus olhos registraram a cidade pela primeira vez (parecia muito com Buenos Aires!), o meu cansaço... E agora, 7 meses depois, apesar de parecer que tudo aconteceu há tão pouco tempo, ao mesmo tempo parece que foi em outra vida, e que a minha vida em Porto Alegre não pertence mais à mim, sendo eu a pessoa que me tornei após essa experiência aqui, alguém que sabe que mudou muito, que sente isso, mas ainda não sabe a dimensão dessa mudança nem como vai ser voltar a encarar meu antigo eu que me espera quando eu voltar. 
   Sim, falo em voltar, porque não sei quanto tempo terei aqui. Minha permissão para ficar aqui só vai até 30 de junho, e se eu não conseguir renovar, em aproximadamente 6 semanas deixarei de ser Vick Barcelona para voltar a ser só Vick, porque Porto Alegre nunca me conquistou de coração. O que me importa lá são as pessoas que amo, mas por mim, se possível, importaria todos eles pra cá, amigos, família, cachorros! 
   Voltarei podendo mudar meu nível de escolaridade no currículo: escolaridade - pós-graduada (com ou sem hífen? Ainda não me acostumei com essa nova gramática). Missão cumprida? Não exatamente. Ainda tem muita coisa que quero fazer por essas bandas... Não fui a Bilbao, Ibiza, não fiz um tour pelas praias paradisíacas da Costa Brava e conhecí um paraíso chamado Formentera, não fui à Toscana e provei vinhos nas milhares de vinículas tão incrivelmente belas que eles têm por lá, não peguei um barco e fui à Grécia. E ainda preciso fazer um tour pelos castelos da Escócia, um sonho, um projeto, algo do qual não posso desistir. Só que agora o tempo pode ser curto, e o dinheiro para fazer tudo isso, inexistente. Ao mesmo tempo sinto uma necessidade de "virar gente grande" e enfrentar o mundo real, não que tudo pelo qual passei aqui tenha sido fácil, enfrentei muita barra sozinha, aprendí a me virar, mas sei que meu futuro não é aqui e tenho coisas importantes pra fazer no Brasil, que não sei quanto tempo poderão me esperar... Terei que voltar deixando minha experiência pela metade? Ou será esse já o fim? Não me sinto pronta, nem para voltar, nem para ficar... Preciso achar outra saída... 

   Enquanto queimo meus miolos tentando achar um modo de não tornar essa viagem um assunto inacabado, posto umas fotos de um lugar aqui de Barcelona que por alguns minutos me transportou para minha tão amada Toscana. Essas fotos são no Castelo de Montjuic, uma fortaleza no alto da montanha de Montjuic, lindo, com vistas incríveis. O castelo em sí é em estilo forte de 4 pontas, e não é nada italiano, a não ser por uma pequena parte onde há um jardim e uma casa onde hoje em dia funciona a parte administrativa, e essa parte sim, me fez sentir na Itália e foi a parte que eu mais gostei do castelo. Aqui estão algumas fotos: 















19 de abr. de 2010

Um sinal de vida....

           Escrevo só para dizer que: A) Não, não abandonei o blog; B) Não, não fui abduzida por ets; C) Ainda tenho internet, notebook e sei escrever. Por que não tenho atualizado então? Eu sei, mil perdões, ando numa fase difícil, fim de curso no pós, trabalhos impossíveis, problemas familiares e mil preocupações nessa cabeça. 
      Esses tempos eu estava pensando se alguém realmente lê isso aqui, porque nunca tem muitos comentários, então eu botei um contador de visitas e fiquei super surpresa com o número de visitas, não esperava! Uma surpresa boa, saber que há pessoas por aí que acham o que eu digo ao menos interessante a ponto de perder alguns minutos do seu dia para vir dar uma olhada aqui, então é para vocês que eu escrevo hoje, primeiro para me desculpar pelo sumiço e pela falta de atenção ao blog, e para dizer que em breve volto com novos post e novidades (inclusive uma câmera nova...!)
    Deixo vocês com minhas sinceras desculpas e agradecimentos pela audiência (acho que não se usa esse termo para blogs, mas enfim) e uma fotinho aleatória só porque um blog de foto com um post sem nenhuma imagem me parece meio inadequado.

      Hasta breve!!!


P.S.: Uma dica não de |Barcelona, mas sim de Porto Alegre: Na pizzaria Bazkaria, que fica alí na frente do Parcão, além de ótima pizza e um ambiente super agradável sempre há exposições de fotografias e palestras com apresentação de fotos. Dia 03/05, às 19:30 o empresário e viajante do STB Beto Conte vai estar participando do ciclo "Belezas do Mundo", falando sobre sua viagem por toda a costa do Vietnã. Se eu estivesse aí eu iria, sempre recebo por e-mail a programação e é bastante interessante!

12 de mar. de 2010

Momento mulherzinha

      Aproveitando que ainda estamos na semana da mulher (semana? não era dia? e alguém aí disse mês??) vou aproveitar a desculpa para falar de uma das mulheres mais famosas do mundo, que mesmo aos 50 anos continua com corpinho de 20, tem um dos guarda-roupas mais invejados, e uma coleção de sapatos inacreditável. Com vocês, a Barbie!

    Vocês devem estar se perguntando o que a Barbie tem a ver com fotografia. Será porque ela já homenageou nossa profissão? Ou porque ela tem uma linha da câmeras fotográficas? Ou porque ela é uma das "personalidades" mais fotografadas da história, um ícone de moda? Ou porque todos querem ser a Barbie (inclusive Angelina Jolie)?




    Não, além de tudo isso, o meu post é por causa do livro lançado por Christian Louboutin, famoso designer de sapatos, onde ele aparece contracenando em fotos com a nossa loira. O livro se chama "My year in Paris" e conta com fotografias imaginárias/realistas da boneca mais fashion do mundo em trajes impecáveis e sapatos mais ainda. Bobinho, eu sei, mas divertido! Além disso o dia está feio, frio, e eu não estou com cabeça pra ser "cult". Quero o conforto da infância...




























     Além disso, porque eu acho que num blog fotográfico "sério" (a gente tenta!) seria demais 2 post sobre a Barbie, vou aproveitar esa oportunidade para mostrar uma provinha do editorial em que ela participou com um Ken de verdade, o modelo Baptiste Giacobini, fotografado por ninguém menos que Karl Lagerfeld!







    Tá com tudo, hein? 

P.S.: Coisa feia, não botei os créditos das fotos, mas esse é o mal da internet, as imagens se difuminam e o autor fica no esquecimento... vou buscar e logo posto aqui! 

10 de mar. de 2010

Um inovador e refrescante olhar sobre as mulheres

     Uma homenagem levemente atrasada ao dia da mulher... Outro dia estava lendo a Elle espanha e me deparei com uma fotógrafa sensacional. A Elle daqui é muito boa, sempre traz muitas reportagens sobre arte, cultura, viagens, e ainda custa barato (EUR 1,90 ! Por quê as revistas -e os livros- são tão caros no Brasil???). Virei fã, compro todo mês e vou ter que fazer espaço na mala, porque elas com certeza embarcarão comigo para o Brasil.
     Bom, essa fotógrafa canadense radicada em Roma se chama Sheila McKinnon e depois de se formar em história da arte e desenho começou a trabalhar com fotografia de moda. Em 1996 um trabalho a levou a ter contato com o que viria a se tornar sua verdadeira paixão e ponto forte de seu trabalho, diferenciando-a dos demais: captar a vida nos países pobres. Daí surgiu uma exposição itinerante na Itália que atualmente se encontra em Munique - espero que venha para Barcelona!
     O que me impressionou no trabalho de Sheila foi seu olhar sobre essas mulheres que vivem em condições precárias, sob um regime machista e castrador, sem muitas opções na vida a não ser viver o que se espera delas. São as chamadas "Mulheres Invisíveis , que apesar de terem uma vida muito pobre e podada, programada de antemão e controladas pelos homens, sem direito sequer à educação, ainda assim possuem uma energia poderosíssima, uma grande determinação em conseguir sustento, alimentar seus filhos y cuidar dos demais ", diz a fotógrafa. É essa energia, essa beleza que toda mulher tem, não importa a raça, classe ou cultura, que Sheila capta com maestria através de suas lentes. Suas fotos são frescas, alegres, extremamente coloridas e vivas. Ela não mostra a pobreza, a tristeza, a frustração, a injustiça que sempre encontramos quando nos deparamos com fotos desse tema, e sim aquele lado mais especial que essas mulheres possuem, seu valor como ser humano, sua garra, sua beleza toda especial. 
      Posto aqui algumas imagens dessa sensacional mulher, que conseguiu através de suas fotos um ponto de vista tão agradavelmente inovador e pouco visto de um tema tão fotografado. 













(essa é uma das que mais gosto...)

         Site da fotógrafa, imprecindível uma visita:  http://www.sheilamckinnon.com/

      Feliz dia das mulheres para todas nós, sexo "frágil" (quem diz isso nunca aguentou uma cólica menstrual!!!) 

3 de mar. de 2010

Milão parte 2 - Tim Walker !!!

      Eu sempre adorei o trabalho do fotógrafo de moda inglês Tim Walker ( http://www.timwalkerphotography.com/ ), figurinha carimbada e habitué dos editoriais da Vogue e dono de um estilo surrealista que mistura fantasia e cenas improváveis com alta moda. E pra mim o fato de uma pessoa aos 25 anos de idade fotografar seu primeiro editorial Vogue, além de trabalhar com Richard Avedon, me dá mais do que motivos pra se tornar uma grande inspiração para mim. Sim, estou "rasgando seda" mas acho que o talento tem que ser reconhecido, e quem ainda não tinha ouvido falar dele, não perca essa chance agora.
     Pois bem, fiquei feliz da vida ao ver que enquanto eu ia estar em Milão estava tendo uma exposição dele em uma galeria de arte, e o melhor, essa era de graça! Óbvio que se tornou uma das paradas mais importantes do meu roteiro. E lá me fui.
     A exposição era na Galleria Carla Sozzani, que fica dentro do 10 Corso Como, um lugar sensacional e dos que mais gostei em Milão. O Corso Como é uma rua, tipo um calçadão, porque é fechada para carros, cheia de lojas legais e restaurantes de ambos os lados, e um dos points da noite de Milão para o pessoal mais "in". Mas o melhor fica no número 10, um antigo prédio industrial hoje transformado num espaço multi-funções que conta com galeria de arte, livraria (voltada à arquitetura, arte, moda e fotografia e que dá vontade de comprar tudo), loja de moda e design, um café/restaurante lindo de morrer com um pátio interno maravilhoso e ainda um hotel super exclusivo. Lá eles aplicam a filosofia "slow shopping" que basicamente é esquecer da vida e perder-se entre as estantes, araras, prateleiras, enquanto toma um café, depois de olhar uma das tantas exposições de alta qualidade que passam por lá. Tudo isso num ambiente integrado no qual se passa de um espaço a outro sem nem se dar conta. Porto Alegre carece de lugares assim, isso é certo... Mas deixando o lado arquiteta de lado e voltando ao Tim Walker, que por sinal segue exposto lá até dia 7 de março, se estiver por lá não perca! 
     Sua mostra começava com a pessoa sendo recepcionada pelo esqueleto gigante e muy simpático da foto abaixo... Isso porque além de fotos o visitante podia ver objetos usados em seus trabalhos, e -devo dizer- eram objetos muito doidos, quem pensa em usar isso numa foto de moda?


"Bem vindos, hahahaha!!!"

     Além do nosso amigo havia também caracóis, que parecem estar muito na moda em Milão no momento (depois mostro o por quê) e não digo como comida... 




     É legal ver de onde surge a inspiração do fotógrafo para as fotos, ainda mais quando estamos falando de trabalhos tão criativos e elaborados como os de Tim Walker, que faz questão de realmente criar os cenários fantásticos de suas fotos e não só usar o photoshop pra isso... Na foto acima temos anotações, imagens de referências, provas de fotos, etc. Um lado bem pessoal de seu trabalho!



Gatos coloridos? Sim, da série "animais pastéis", já vi uma foto que ele fez isso com pombas também... só espero que não vire moda, pobres bichinhos!



"Hasta la vista, baby!!!"

     Uma amostrinha da livraria-delícia que fica ao lado da galeria...


    E, como eu prometí, a razão pela qual os caracóis devem estar na moda em Milão... (minha mãe teria um ataque, o que eu tenho de pavor de barata ela tem de lesmas...)

Fotos da praça na frente do famoso Teatro Scala

23 de fev. de 2010

Fotopres "La Caixa" 09

     Esse final de semana fui ver uma exposição de fotojornalismo espanhola, a Fotopres.É patrocionada pela Caixa Forum, um centro cultural muito legal aqui em Barcelona, perto de Montjuic, que sempre conta com diversas mostras, e a grande maioria delas, de graça.
     Como a maioria dos prêmios de fotojornalismo, o Fotopres é feito de imagens fortes, de denúncia social e realidade nua e crua. Guerra, conflitos, violência, não vá se está se sentindo deprimido. Eu me considero uma pessoa bastante forte pra esse tipo de coisa, pouca coisa realmente me choca (ao menos vendo através da tv e de fotografias, nunca tentei me meter no meio de uma guerra, creio que seria bastante diferente), mas uma das séries da mostra conseguiu me deixar com os olhos cheios d`água.
     O fotógrafo Emilio Morenatti ganhou o primeiro prêmio do Fotopres de 2009 com sua série de fotos sobre a violência de gênero no Paquistão. Lá, por mais inacreditável que seja o fato de que isso ainda aconteça livremente nos dias de hoje, é normal as mulheres serem atacadas com ácido, normalmente no rosto. E seus agressores não são vândalos, bandidos, mas seus próprios maridos, primos, pais, por motivos tão cotidianos como recusar uma proposta de casamento, não querer mais filhos ou querer mais filhos. Às vezes simplesmente por ter nascido mulher, como aconteceu com uma dessas mulheres, que teve o rosto completamente deformado pelo ácido quando tinha apenas cinco anos de idade. Seu agressor? Seu pai, que não queria mais uma menina. E mesmo denunciados todos eles continuam livres, vivendo uma vida normal, enquanto essas mulheres mesmo após submeter-se a mais de 25 cirurgias plásticas (as que conseguem meios para isso), perdem sua visão, sua dignidade, sua imagem, sua vida.
      Essas fotos realmente me deixaram mal. Eu nem consegui fotografar essa parte da mostra para mostrar aqui. Se alguém quiser buscar no google pelo nome do fotógrafo talvez encontre algo, mas eu aviso, prepare o estômago.São imagens realmente  fortes.
       O segundo prêmio foi do fotógrafo Walter Astrada, sobre a violência póseleitoral no Kênia. O terceiro prêmio foi para Alfonso  Moral e suas fotos sobre a guerra no Líbano. As outras séries foram resultados de becas dadas à fotógrafos, e são sobre temas variados, sociais, como os trangêneros no Pakistão, o lado não tão luxuoso e um pouco bizarro de Dubai, os imigrantes ilegais em Barcelona e um antigo salão de baile hoje decadente, entre outros. Ao todo são 9 séries fotográficas. Valeu a pena ver, eu pessoalmente gosto da fotografia bela, gosto de retratar as coisas bonitas, busco a perfeição e imagens que façam sentir bem, mas aprecio a coragem desses fotógrafos que arriscam sua segurança e enfrentam uma realidade terrível para que o resto do mundo saiba o que se passa fora de nossas casas, de nossa sociedade medianamente civilizada, para que escutemos o grito de socorro dessas pessoas que não têm a mesma sorte que nós, que lidam diariamente com a tragédia, a dor, a perda, a violência, a discriminação, a injustiça...




16 de fev. de 2010

O mestre Steve McCurry em Milão!

     Bendita Ryanair, conhecida por alguns como "el bus volante" mas perfeitamente aceitável e vantajosa para mim. Aonde mais eu conseguiria passagem de ida e volta Barcelona-Milão, com taxas, por 8 EUR, eu disse, OITO !?! Viajar de novo não estava nos meus planos agora, não por falta de vontade, essa eu sempre tenho, e sim por falta de recursos... Mas assim ficou impossível não ir. E como me disseram que Milão não tinha muito o que ver, que quatro dias na cidade é muito, catei uma passagem baratinha de trem e fui parar em Veneza, na melhor época possível, o incrível carnaval. Mas isso é assunto para outro post, comecemos por Milão.
     Tenho a mania de sempre organizar um roteirinho de viagem quando vou conhecer um lugar novo, para otimizar meu tempo e aproveitar o máximo possível a estada, ainda que sempre deixe um tempinho livre para perder-me pela cidade e descobrir aquelas coisas que não se encontram nos guias. Dessa vez, depois da experiência parisina de descobrir várias mostras legais de fotografia espalhadas pela cidade, não quis dar bobeira e resolvi pesquisar antes o que estava acontecendo por Milão em termos de mostras de fotografia e arte, e cheguei a dar pulinhos de alegria com o que descobri: exposições dos fotógrafos Steve McCurry, Tim Walker e do artista plástico mundialmente conhecido e pop Roy Lichtenstein! Iuhuuu!!!
     Minha primeira parada e primeiro post então vai para o Steve McCurry, que está exposto no Palazzo della Ragione, pertinho da Piazza del Duomo, o lugar mais visitado de Milão. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, basta mostrar sua foto mais conhecida, capa da National Geographic e mundialmente famosa, de uma menina afegã, fotografada em 1985, que tem um olhar assustadoramente penetrante. Mas depois de ver a mostra eu penso que mesmo sendo maravilhosa é uma pena que essa seja sua foto mais conhecida. Steve McCurry foi um mestre dos retratos e da antropologia, fotografando normalmente em lugares como Índia, Tibet, Ásia, Japão, retratando as pessoas e seus mundos, nos ensinando sobre costumes e sociedades com as quais não temos tanto contato e que são muitissimo interessantes e belas, mesmo com guerras, conflitos e pobreza. 


- sua foto mais conhecida, National Geographic, 1985 - 

        Se alguém está pensando em fazer uma exposição de fotografia deveria se inspirar nessa. Além do trabalho sensacional do fotógrafo, a instalação era muito bem feita, criativa, lúdica, belíssima, se utilizando de suportes de madeira e telas negras semi-transparentes para pendurar as ampliações, num espaço histórico lindo, criando uma atmosfera mágica, não sei quanto tempo fiquei olhando a  mostra, mas foi bastante. Olhava uma foto, ia para a próxima, voltava para aquela imagem, tão linda e forte em tudo que transmitia. Realmente, uma experiência maravilhosa. (clique nas fotos para vê-las em tamanho gigante)



A mostra é dividida em 6 temas: Retrato, Guerra, Alegria (pós-guerra), Infância, Beleza e Outro. 








- entrada da mostra - 

  Acho interessante falar um pouquinho da história do Steve McCurry, que morreu em 2009. Ele nasceu na Pensilvânia, Estados Unidos, em 1950. Começou estudando cinema e se graduou em teatro. Sua carreira fotográfica começou quando ele passou a tirar fotos para o jornal da universidade. Depois disso fez a cobertura da guerra soviética no Afeganistão, disfarçado de nativo e com filmes costurados nas suas roupas para não se fazer notar. Esse trabalho lhe rendeu a medalha de ouro Robert Capa pela melhor reportagem fotográfica internacional. Em 1986 passou a fazer parte da agência Magnum, e nunca deixou de cobrir os conflitos internacionais, mas fugindo do que se espera de "fotografia de guerra". Suas fotos são coloridas, sinceras, e belas, ainda que retratem a realidade muita vezes dura desses países. McCurry também foi o único fotógrafo a ganhar quatro prêmios World Press Photo em um mesmo ano, além de vários outros prêmios de fotojornalismo. Nos seus últimos anos publicou diversos livros, dava workshops em Nova York e fez uma extraordinária cobertura do Ground Zero, lugar dos atentados de 11 de setembro. Suas fotos estão expostas em diversas galerias de todo o mundo.
   Site da mostra, que pra minha sorte foi prorrogada, pois estava prevista para acabar dia 31 de janeiro:  www.stevemccurrymilano.it (fala sobre a exposição e cada uma das obras expostas).
     Site do fotógrafo: www.stevemccurry.com