23 de fev. de 2010

Fotopres "La Caixa" 09

     Esse final de semana fui ver uma exposição de fotojornalismo espanhola, a Fotopres.É patrocionada pela Caixa Forum, um centro cultural muito legal aqui em Barcelona, perto de Montjuic, que sempre conta com diversas mostras, e a grande maioria delas, de graça.
     Como a maioria dos prêmios de fotojornalismo, o Fotopres é feito de imagens fortes, de denúncia social e realidade nua e crua. Guerra, conflitos, violência, não vá se está se sentindo deprimido. Eu me considero uma pessoa bastante forte pra esse tipo de coisa, pouca coisa realmente me choca (ao menos vendo através da tv e de fotografias, nunca tentei me meter no meio de uma guerra, creio que seria bastante diferente), mas uma das séries da mostra conseguiu me deixar com os olhos cheios d`água.
     O fotógrafo Emilio Morenatti ganhou o primeiro prêmio do Fotopres de 2009 com sua série de fotos sobre a violência de gênero no Paquistão. Lá, por mais inacreditável que seja o fato de que isso ainda aconteça livremente nos dias de hoje, é normal as mulheres serem atacadas com ácido, normalmente no rosto. E seus agressores não são vândalos, bandidos, mas seus próprios maridos, primos, pais, por motivos tão cotidianos como recusar uma proposta de casamento, não querer mais filhos ou querer mais filhos. Às vezes simplesmente por ter nascido mulher, como aconteceu com uma dessas mulheres, que teve o rosto completamente deformado pelo ácido quando tinha apenas cinco anos de idade. Seu agressor? Seu pai, que não queria mais uma menina. E mesmo denunciados todos eles continuam livres, vivendo uma vida normal, enquanto essas mulheres mesmo após submeter-se a mais de 25 cirurgias plásticas (as que conseguem meios para isso), perdem sua visão, sua dignidade, sua imagem, sua vida.
      Essas fotos realmente me deixaram mal. Eu nem consegui fotografar essa parte da mostra para mostrar aqui. Se alguém quiser buscar no google pelo nome do fotógrafo talvez encontre algo, mas eu aviso, prepare o estômago.São imagens realmente  fortes.
       O segundo prêmio foi do fotógrafo Walter Astrada, sobre a violência póseleitoral no Kênia. O terceiro prêmio foi para Alfonso  Moral e suas fotos sobre a guerra no Líbano. As outras séries foram resultados de becas dadas à fotógrafos, e são sobre temas variados, sociais, como os trangêneros no Pakistão, o lado não tão luxuoso e um pouco bizarro de Dubai, os imigrantes ilegais em Barcelona e um antigo salão de baile hoje decadente, entre outros. Ao todo são 9 séries fotográficas. Valeu a pena ver, eu pessoalmente gosto da fotografia bela, gosto de retratar as coisas bonitas, busco a perfeição e imagens que façam sentir bem, mas aprecio a coragem desses fotógrafos que arriscam sua segurança e enfrentam uma realidade terrível para que o resto do mundo saiba o que se passa fora de nossas casas, de nossa sociedade medianamente civilizada, para que escutemos o grito de socorro dessas pessoas que não têm a mesma sorte que nós, que lidam diariamente com a tragédia, a dor, a perda, a violência, a discriminação, a injustiça...




16 de fev. de 2010

O mestre Steve McCurry em Milão!

     Bendita Ryanair, conhecida por alguns como "el bus volante" mas perfeitamente aceitável e vantajosa para mim. Aonde mais eu conseguiria passagem de ida e volta Barcelona-Milão, com taxas, por 8 EUR, eu disse, OITO !?! Viajar de novo não estava nos meus planos agora, não por falta de vontade, essa eu sempre tenho, e sim por falta de recursos... Mas assim ficou impossível não ir. E como me disseram que Milão não tinha muito o que ver, que quatro dias na cidade é muito, catei uma passagem baratinha de trem e fui parar em Veneza, na melhor época possível, o incrível carnaval. Mas isso é assunto para outro post, comecemos por Milão.
     Tenho a mania de sempre organizar um roteirinho de viagem quando vou conhecer um lugar novo, para otimizar meu tempo e aproveitar o máximo possível a estada, ainda que sempre deixe um tempinho livre para perder-me pela cidade e descobrir aquelas coisas que não se encontram nos guias. Dessa vez, depois da experiência parisina de descobrir várias mostras legais de fotografia espalhadas pela cidade, não quis dar bobeira e resolvi pesquisar antes o que estava acontecendo por Milão em termos de mostras de fotografia e arte, e cheguei a dar pulinhos de alegria com o que descobri: exposições dos fotógrafos Steve McCurry, Tim Walker e do artista plástico mundialmente conhecido e pop Roy Lichtenstein! Iuhuuu!!!
     Minha primeira parada e primeiro post então vai para o Steve McCurry, que está exposto no Palazzo della Ragione, pertinho da Piazza del Duomo, o lugar mais visitado de Milão. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, basta mostrar sua foto mais conhecida, capa da National Geographic e mundialmente famosa, de uma menina afegã, fotografada em 1985, que tem um olhar assustadoramente penetrante. Mas depois de ver a mostra eu penso que mesmo sendo maravilhosa é uma pena que essa seja sua foto mais conhecida. Steve McCurry foi um mestre dos retratos e da antropologia, fotografando normalmente em lugares como Índia, Tibet, Ásia, Japão, retratando as pessoas e seus mundos, nos ensinando sobre costumes e sociedades com as quais não temos tanto contato e que são muitissimo interessantes e belas, mesmo com guerras, conflitos e pobreza. 


- sua foto mais conhecida, National Geographic, 1985 - 

        Se alguém está pensando em fazer uma exposição de fotografia deveria se inspirar nessa. Além do trabalho sensacional do fotógrafo, a instalação era muito bem feita, criativa, lúdica, belíssima, se utilizando de suportes de madeira e telas negras semi-transparentes para pendurar as ampliações, num espaço histórico lindo, criando uma atmosfera mágica, não sei quanto tempo fiquei olhando a  mostra, mas foi bastante. Olhava uma foto, ia para a próxima, voltava para aquela imagem, tão linda e forte em tudo que transmitia. Realmente, uma experiência maravilhosa. (clique nas fotos para vê-las em tamanho gigante)



A mostra é dividida em 6 temas: Retrato, Guerra, Alegria (pós-guerra), Infância, Beleza e Outro. 








- entrada da mostra - 

  Acho interessante falar um pouquinho da história do Steve McCurry, que morreu em 2009. Ele nasceu na Pensilvânia, Estados Unidos, em 1950. Começou estudando cinema e se graduou em teatro. Sua carreira fotográfica começou quando ele passou a tirar fotos para o jornal da universidade. Depois disso fez a cobertura da guerra soviética no Afeganistão, disfarçado de nativo e com filmes costurados nas suas roupas para não se fazer notar. Esse trabalho lhe rendeu a medalha de ouro Robert Capa pela melhor reportagem fotográfica internacional. Em 1986 passou a fazer parte da agência Magnum, e nunca deixou de cobrir os conflitos internacionais, mas fugindo do que se espera de "fotografia de guerra". Suas fotos são coloridas, sinceras, e belas, ainda que retratem a realidade muita vezes dura desses países. McCurry também foi o único fotógrafo a ganhar quatro prêmios World Press Photo em um mesmo ano, além de vários outros prêmios de fotojornalismo. Nos seus últimos anos publicou diversos livros, dava workshops em Nova York e fez uma extraordinária cobertura do Ground Zero, lugar dos atentados de 11 de setembro. Suas fotos estão expostas em diversas galerias de todo o mundo.
   Site da mostra, que pra minha sorte foi prorrogada, pois estava prevista para acabar dia 31 de janeiro:  www.stevemccurrymilano.it (fala sobre a exposição e cada uma das obras expostas).
     Site do fotógrafo: www.stevemccurry.com

30 de jan. de 2010

Paris, cité de la photographie!!! - Parte 3

     Finalmente o último post da saga Paris. Deixei para depois porque assim sou obrigada a revisitar as fotos e relembrar a viagem... Agora, matar a saudade, só voltando mesmo!
  Uma coisa que adorei em Paris é que a fotografia está em todo lugar. E não digo só porque não importa para onde olhes, vai ter alguém com uma câmera na mão. Paris valoriza a fotografia como nenhuma outra cidade, que eu saiba (ok, eu não conheço todas as cidades, então posso estar falando besteira, mas essa foi a impressão que tive). Aliás, isso não é só Paris, os franceses possuem uma cultura fotográfica sensacional, algumas das melhores escolas de fotografia do mundo estão na França e a cidade de Arles tem um festival anual de fotografia que recebe apaixonados e fotógrafos do mundo inteiro (depois faço um post sobre isso, se Deus quiser, direto de Arles). 
   Caminhando por Paris, nos lugares menos esperados me deparava com exposições de fotografia. Ao ar livre, numa grade, numa loja, queria muito ter passado mais tempo para explorar mais esse lado criativo e maravilhoso da cidade. É realmente uma surpresa deliciosa e um exemplo de que a fotografia pode e deve estar mais acessível a todos. Há tantos fotógrafos talentosos por aí dos quais não temos conhecimento! Se ensina sobre arte nas escolas e faculdades, mas de fotografia não se fala. Por quê? Por que não disponiblizar ao cidadão que sai todo dia de casa para trabalhar uma mostra de fotografia nas paredes do metrô? Por que não tirar as fotografias das galerias e workshops e trazê-las para as ruas, para o cotidiano, para a vida diária e assim criarmos a cultura da fotografia, afinal quase todos possuem uma câmera em casa, nem que seja para fotografar o aniversário do filho e as férias de família. Já quantos possuem um cavalete, pincéis e tintas? A fotografia conquista pessoas de todas as raças, idades e classes econômicas. A fotografia não discrimina. E eu tive a prova mais que concreta disso ao ver que o tipo de pessoas que paravma para olhar as mostras de foto espalhadas por Paris não poderia ser mais diversificado!

   Aqui uma mostra das exposições de fotografia que encontrei pelo caminho:

- Em Bercy Village - 

   Em Bercy Village estava tendo a mostra "Instants Merveilleux en Savoie Mont Blanc", com 47 fotos de quatro grandes fotógrafos de natureza : Eric Anglade, Antoine Berger, Didier Givois e Gilles Lansard. Depois buscando mais sobre o assunto descobrí que lá é costume fazerem exibições de fotos. Pra quem não conhece, Bercy Village é uma área de antigos armazéns que eram utilizados para armazenar vinho e que foram restaurados, abrigando hoje em dia ótimos bares, restaurantes e lojas. Menos turístico que o resto de Paris, é uma ótima opção para jantar ou só tomar um drink! 


        - grade dos Jardins de Luxemburgo - 





  Infelizmente a pateta aqui não anotou na hora o nome da exposição nem do fotógrafo... que lapso terrível! Mas essas fotos estavam expostas ao ar livre, na parte exterior das grades dos Jardins de Luxemburgo, havia muitas, acho que em torno de 60 imagens. Eu estava com as minhas amigas nessa hora, deixei pra buscar os dados depois... e não encontrei na internet! Perdão por isso, caros leitores. Mas na próxima vez que alguém vá a Paris, além de museus e monumentos, preste atenção nos lugares menos esperados... eles guardam as melhores surpresas!

21 de jan. de 2010

O lado oculto

   No meu pós me pediram pra fotografar retratos. Não só a mim, claro, a todos da turma. O problema é que eu sou terrível com retratos. Posso fotografar tudo com o maior prazer, mas fazer retratos me deixa... nervosa. Tenho medo de gente. Morro de vergonha de chegar pra um desconhecido e apontar minha câmera pra cara dele... ou pior ainda, ter que conversar e pedir permissão... e se fotografo de longe e a pessoa vê, tenho que me segurar pra não ir lá correndo, me ajoelhar e pedir mil desculpas por estar invadindo a privacidade dela, ou pior ainda, sair correndo pro lado oposto, câmera na mão, como uma trombadinha. 
    E o engraçado é que fotos de moda eu gosto! Não tenho problema de fotografar um modelo, porque a pessoa está mais do que acostumada, eu sei que ela quer estar alí, é o trabalho dela, assim como fotografar é o meu. E foto de moda é mais arte, é atuação, é teatro, já o retrato é realidade, é dureza... não sei porque isso me assusta tanto, e faz o ponteiro da minha auto-crítica ir lá pra cima, mas a verdade nua e crua é que sofro com retratos...
    Sexta passada saí pra tentar fazer umas fotos. Claro que tinha muita coisa interessante pelo caminho,  afinal, estou em Barcelona, mas tentei me focar em pessoas.... e acabei fotografando cachorros. Com pessoas, ok, mas o principal da foto são os cães. Essas até que não achei de todo mal... Já os retratos... Esperei 2 dias pra ter coragem de olhar as fotos. Quando finalmente fui vê-las, não encontrei nenhum que me convencesse. "Esse tá fraco... esse é clichê... clichê.... pobre... fraco... perdí o momento... mais clichê". Tenho uma implicância com a fotografia de retratos, acho que tudo é clichê. É raro um retrato que me impressione. Mas talvez eu esteja buscando nos lugares errados...
     E aí, hoje estava lendo um livro sobre o Man Ray (tentando aprender algo com quem entende da coisa... já devorei o do Robert Doisneau também). E tive uma inspiração súbita baseada na estética de suas fotos, que até hoje em dia, de clichê não tem nada. Resolvi pegar 3 fotos "clichê" que eu havia tirado e que pra mim careciam de algo que as tornasse especiais, e fazer um experimento. Não sei se ainda se pode qualificar como retratos... mas a fotografia tem o bom de ser subjetiva, então aí vai:









    Não são obras de arte, nem grandes idéias inovadoras, e foi bastante simples chegar a esse resultado, obviamente. Mas não sei, achei que assim, ao contrário, elas ficaram mais interessantes... Não se diz que tudo tem dois lados? ;)

15 de jan. de 2010

A vida imita a arte, e a ilustração imita a fotografia!

     Pesquisando sobre um ilustrador que eu gosto muito, o britânico Jason Brooks (www.jason-brooks.com) descobrí uma ilustração recente dele que na hora ativou a minha memória. É um desenho feito para a capa de um cd do selo de música eletrônica Hed Kandi - muito bom por sinal. Brooks trabalha com a Hed Kandi há anos, e na verdade eu descobrí a gravadora porque me encantei pela ilustração na capa do cd. Seus desenhos são inconfudíveis e exaustivamente copiados, e seu estilo se tornou uma inspiração para milhares de ilustradores digitais. O desenho em questão vale um post por ser claramente inspirado em uma foto da Gisele Bundchen, fotografada pelo mestre Mario Testino para a capa da Vanity Fair de setembro de 2007. Eu não conseguí a ilustração em tamanho maior, mas acho que vocês podem perceber as semelhanças...


 - capa da Vanity Fair... - 



- ... e a ilustração de Jason Brooks! -

     Fiquei curiosa sobre o assunto, foi surpreendente descobrir que até mesmo um gênio da ilustração como Jason Brooks  busca inspiração em algum lugar... (nesse caso, quase um plágio!). Tentando descobrir se havia mais algum desenho dele inspirado em foto real, descubro um anúncio de uma empresa americana de cosméticos, a Jergens, não muito conhecida no Brasil. Bingo!!! Mais uma referência claríssima!



- a campanha da Jergens... - 



- ... e a ilustração, mais uma vez para Hed Kandi! -

      Não sei se é a Hed Kandi que encomenda e sugere o lay-out, ou se é o próprio Jason Brooks que tem as idéias, nem se há outros desenhos inspirados em fotos, mas o fato é que não me sentirei mais culpada e achando que sou uma fotógrafa sem criatividade por buscar fotos como referências para meu próprio trabalho, principalmente retratos, que não são meu forte... Claro que não tão descaradamente!!! Ainda assim continuo adorando o trabalho desse ilustrador, e desejando ter toda a coleção dos cds maravilhosos da Hed Kandi!

14 de jan. de 2010

Série "Filmes fotográficos" - Vicky Cristina Barcelona

    Resolvi criar uma série de posts sobre filmes que tratem ou tenham a ver com a fotografia e/ou com o mundo dos fotógrafos. Tenho alguns em mente, mas não são muitos, então se vocês tiverem sugestões, por favor me enviem, seria uma ótima contribuição!
    Vou começar com um que só pelo título já tem muito a ver comigo: Vicky Cristina Barcelona, dirigido por Woody Allen, com Javier Barden, Penelope Cruz, Scarlett Johansson e Rebecca Hall, e ambientado em Barcelona. Eu sou Vick e estou em Barcelona, e embora a fotógrafa do filme seja a Cristina, eu me identifico muito com ela em sua busca por auto-conhecimento e descoberta da paixão pela fotografia como algo mais que só um hobby. Além do mais,  Barcelona é uma cidade ótima para se desenvolver a fotografia, há lugares lindos e pessoas interessantíssimas, de todas as idades, etnias e estilos.
    Para quem ainda não assistiu, o filme trata da história de duas amigas americanas que vêm passar férias em Barcelona. Vicky (pensa que) sabe muito bem o que quer da vida, vem estudar a cultura catalã para terminar seu master e está noiva. Já Cristina tinha acabado de terminar um namoro, dirigido e atuado num filme que ela agora odeia e se sente um pouco incompreendida e perdida, como uma pessoa que sabe que tem um grande potencial criativo mas não sabe como expressar-se. É aí que ela encontra a fotografia como forma de expressão e de satisfação pessoal, e nesse ponto o filme podia ser quase auto-biográfico, pois eu também comecei a fotografar num período de crise existencial e buscando uma forma de expressar meus sentimentos. Algumas pessoas pintam, outras compõem, os fotógrafos tiram fotos numa busca por transmitir em uma imagem sentimentos que não conseguem expressar por si mesmos. A fotografia pode ser uma grande arma na busca do auto-conhecimento, além de um estilo de vida. 
    Claro que o filme também enfoca outras coisas, ambas as amigas se envolvem com um artista plástico espanhol, sedutor e ainda ligado à sua ex-mulher linda e emocionalmente instável... mas eu não vou contar todo o filme, o melhor é assistir-lo! 



  Penélope Cruz e Scarlett Johansson em uma cena do filme 


      Minha intenção aqui não é escrever uma crítica sobre o filme, até porque nesse ponto sou completamente leiga, não entendo de cinema e só posso julgar pelo meu gosto pessoal. Mas seria interessante sugerir filmes que mostrem a fotografia, ou a vida de fotógrafos, e quem sabe, debatermos um pouco sobre essas idéias. Por isso peço a participação de vocês: comentem, opinem, dêem sugestões, com certeza serão muito bem vindas! Um feedback é sempre uma boa, ao menos para dizerem se estão gostando do blog ou não!

9 de jan. de 2010

Paris, cité de la photographie!!! - Parte 2

            Paris guarda uma surpresa a cada esquina, uma descoberta a cada passagem estreita que se abre para um patiozinho lindo. Pois foi em uma dessas passagens que descobrí uma das lojas mais legais que já ví, a Yellow Corner. 
     Já havia visto um homem no metrô com uma embalagem da loja, e tinha ficado bastante curiosa, pois ví que havia uma fotografia já enquadrada dentro, embora não pudesse ver qual. E aí, caminhando pela Rue Francs-Bourgeois, ainda no bairro de Le Marais (não disse que esse bairro era ótimo?), uma ruazinha estreita, com prédios antigos e cafés cheios de charme, lojas de estilistas e de design moderno, numa dessas entradas que dão para um pátio, descubro uma filial da tal da Yellow Corner.



 - fachada da Yellow Corner, um charme! - 


    Claro, entrei na mesma hora, com uma curiosidade enorme, e não me decepcionei, ao contrário, fiquei encantada. A loja é um misto de galeria de arte com loja de fotografia, onde todas as fotos expostas estão à venda, em quantidades limitadas e numeradas, todas com um certificado de autenticidade e uma breve biografia do fotógrafo. Além disso há expositores como os de lojas de vinil, onde se pode olhar as mais de 150 fotografias diferentes, em vários tamanhos, algumas já prontas para pendurar na parede, com passe-partout e tudo, e o melhor, preços super acessíveis, a partir de 29 euros! 


    - um verdadeiro banquete de fotos! -                                                

       Infelizmente não pude comprar nenhuma foto, e havia me apaixonado por pelo menos 5 delas... mas fiquei super feliz quando descobri que há filias da loja em outras cidades da Europa, inclusive em Barcelona, embora eu aqui só tenha encontrado um totem pequeno na Fnac. Mas o bom é que se pode  comprar on-line também, e não só por isso, mas por curiosidade em ler mais sobre alguns fotógrafos que adorei, assim que voltei de viagem acessei o site deles - http://www.yellowkorner.com/ . Vai aqui então um breve histórico de como surgiu a empresa: Foi criada em 2005 por dois amadores apaixonados por fotografia, Alexandre de Metz e Paul-Antoine Briat,  que desejavam democratizar a fotografia sem que perdesse o status de arte. As fotografias vendidas na Yellow Corner são selecionadas por um comitê artístico que percorre exposições, galerias e mostras ao redor do mundo em busca de novos talentos e também do trabalho de artistas já renomados no mundo da fotografia, mas principalmente atuando como um trampolim para jovens fotógrafos profissionais. As fotografias são encontradas em todos os tamanhos e formatos das galerias de arte, em cópias de alta qualidade. No site se encontra o catálogo, que eles também enviam por e-mail, além de biografias dos fotógrafos, um bom guia para quem busca trabalhos novos e criativos.


 - galeria de arte dentro da loja - 


 - o paraíso para os apreciadores da fotografia como arte - 


    Uma pena que não há exista filial na América latina, mas certo é que não voltarei da Europa sem ao menos uma foto deles na mala... difícil vai ser escolher qual!

4 de jan. de 2010

Paris, cité de la photographie!!! - Parte 1

      Ah, Paris, Paris... mais conhecida como cidade-luz, injustamente não chamada de capital da fotografia. Passei 5 dias lá, e tenho que dizer que fiquei maravilhosamente surpresa e absolutamente maravilhada. Estou cogitando seriamente começar a aprender francês pra ir estudar lá depois que acabar meu pós aqui em Barcelona. 
     Que Paris é linda e extremamente inspiradora pra tirar fotos todo mundo sabe. O que nem todos sabem, e que eu não sabia, é o quanto a fotografia é valorizada em Paris. Qualquer banquinha de souvenirs ou de revista, e elas estão em toda parte, vende centenas de reproduções tamanho cartão postal ou pôster de fotos antigas em preto e branco. E são lindas!!! Comprei algumas e me arrependi amargamente de não ter comprado mais. Bom, fica pra próxima... Há desde fotos clássicas como "Le Baiser" de Robert Doisneau e "L’Accident à la Gare Montparnasse" de 1895, autor anônimo, até fotos pouco conhecidas mas igualmente belas como a de um gato francês (de boina e camiseta listrada). E o melhor: o preço! Claro que não são super reproduções, mas por 1,00 euro vale a pena fazer um rancho e encher uma parede de fotos. 



 - dificil escolher entre tanta variedade de fotos!!! - 



 - "Le Baiser" - Robert Dosneau - 



- "L’Accident à la Gare Montparnasse" - 



- "Locomotive Aerodynamique a là Gare de Lyon" 1937 -


       Além disso, passeando pelo bairro Les Marais (se pronuncia "Le Marré"), o famoso bairro dos artistas e dos museus (o Museu Picasso fica lá), tive a grata surpresa de estar meio perdida, andando por uma ruazinha não conhecida, e passar por uma galeria de arte, bem pequena e simples, com algumas fotos expostas... reconhecí as fotos, e, sensacional, era uma exposição do Richard Avedon!!! Uma pena que a galeria estava fechada, tirei umas fotos através da vitrine, mas estava sem meu polarizador, então tem um pouco de reflexo, mas vale a pena ver: 



 - Richard Avedon em uma galeria de Paris - 


               Le Marais também é um paraíso pra quem gosta de arte. Ao redor da Place de Voges estão inúmeras galerias com arte contemporânea, um banho para os olhos. E quando se cansar de olhar é só sentar-se em um dos vários cafés ao lado das galerias. Mas o melhor desse bairro, e que não está em muitos guias de viagem, mas no meu tinha (recomendo o Guia Paris da Publifolha, super completo e fácil de usar) é que lá também está localizado a Maison Europénne de la Photographie (http://www.mep-fr.org), um edifício de 5 andares dos anos 70 que antigamente era o Hotel Henáult de Cantobre, com uma nova ala inaugurada em 1996. Lá há um acervo permanente, 1200m² e mais de 20 mil imagens que representam a criação fotográfica internacional dos anos 50 até os dias de hoje, além de mostras temporárias, um auditório para 100 pessoas que exibe filmes relacionados às exposições, uma biblioteca e uma sala de vídeo. Vá com tempo para olhar!



 - fachada da Maison Europénne de la Photographie - 


    Claro que tem mais pra falar, mas vou deixar para um próximo post, pra não entregar tudo de bom de uma vez só! Au revoir!!!



7 de dez. de 2009

Barcelona aos meus olhos

       Eu ainda não havia feito isso aqui, mas como eu disse previamente, ser barcelonesco é andar com uma câmera no pescoço, sair por aí olhando pra cima e tirando fotos, se agachar no meio da rua pra fotografar algo que só tu vês quando para todas as outras pessoas aquilo passaria desapercebido. Então esse post é sobre um pouco da minha visão de Barcelona, através de imagens. Espero que gostem.























28 de nov. de 2009

IX Premio Grand Marina de Fotografíar


            Me bobeei e perdí a chance de participar desse concurso. Se tivesse participado esta seria uma das fotos que teria inscrito. O tema desse ano foi " Fachadas de Barcelona", e o resultado gerou bastante polêmica quanto à adequação das fotos premiadas ao tema. 
           O edital pedia um "tríptico" (série de três fotos de dimensões e formato idêntico que componham uma só obra). Mas o que despertou o descontentamento entre alguns participantes foi o fato das fotos premiadas não serem exatamente de fachadas, e não cumprirem com a proposta de que o " IX Premio Grand Marina de Fotografía 2009 reconhecerá aquelas séries fotográficas que interpretem com um olhar pessoal, a beleza, elegância ou a ousadía das fachadas de Barcelona, seja em seu conjunto ou nos múltiplos detalhes que nelas se possam encontrar. E a cidade catalana reúne fachadas de diferentes estilos: góticas, neoclásicas, modernistas, futuristas,… todas com seu encanto especial." (texto traduzido do edital)
           Esse concurso tem como lema valorizar o patrimônio arquitetural de Barcelona. Edições passadas tiveram como tema "ruas de Barcelona", "Barcelona, cidade de desenho", "Barcelona naturalmente: paisagens da cidade", "Barcelona e a arte", "Barcelona e Gaudí" e "Barcelona, luzes da cidade". É um prêmio criado pela cadeia de hotéis Eurostar e as fotos ganhadoras, após exposição no lobby do bar são utilizadas na decoração dos quartos, já que o hotel localizado no World Trade Center de Barcelona optou por utilizar a fotografia como principal elementos decorativo de suas habitações. Além disso os premiados recebem troféus e prêmios que vão de 500 a 3000 euros.
          Para quem quiser ver as fotos premiadas esse ano, aqui vai o link: http://blog.eurostarshotels.com/los-ganadores-del-ix-premio-grand-marina-de-fotografia . 


          Por quê eu não participei, por quê!?! 

24 de nov. de 2009


WORLD PRESS PHOTO 2009.

Domingo retrasado estive visitando essa mostra que está exposta no CCCB, em Barcelona. Uma dica, durante a semana a mostra é paga, mas domingo das 15h às 20h é de graça, assim como outros museus. Faz parte da política local de incentivar a cultura em Barcelona (como se precisasse...).
O World Press Photo funciona assim: todo ano um júri internacional formado por 13 membros escolhe as fotografias ganhadoras entre todas as enviadas por fotojornalistas, agências, jornais e fotógrafos do mundo todo. Existem 11 categorias: notícias da atualidade, temas da atualidade, personalidades da atualidade, esportes, fotos de ação, reportagens de esportes, temas contemporâneos, vida diária, retratos, natureza e artes e entretenimento. 
A exposição das fotos ganhadoras percorre  80 cidades de 40 países a cada ano,  com a condição que todas as fotos sejam expostas sem qualquer tipo de censura. O fato de que milhares de pessoas de todo o mundo visitem a mostra evidencia o poder da fotografia em superar barreiras linguísticas e culturais. 
       Nesse site - http://www.archive.worldpressphoto.org/ - há um  arquivo das fotos ganhadoras em diversas categorias, com um acervo de mais de 10.000 imagens reunidas ao longo mais de 50 anos. Uma verdadeira retrospectiva de momentos marcantes da história e da sociedade humana através de fotos. 
      Passei umas 2 horas olhando as fotos. Eram muitas, porque em cada categoria pode haver tanto uma foto como um conjunto de fotos. Há fotos trágicas, de catástrofes naturais, de guerras, de miséria. Há fotos irônicas. Há uma foto de um tipo de leopardo muito raro de ser visto, que foi tirada por uma câmera disparada por sensor. Em 5 anos a câmera conseguiu apenas uma foto deste animal. Isso que é um exemplo de perseverança... O público era o mais variado possível. De idosos a crianças pequenas. Não sei se eu levaria meu filho pequeno (se eu algum dia tiver um) para uma mostra como essa, há fotos de conteúdo realmente brutal. A realidade é brutal, mas uma criança deveria ter tempo para descobrir isso. Mas também há fotos maravilhosas, não necessariamente em termos estéticos, o World Press Photo não é uma mostra que tem a intenção de ser leve e agradável aos nossos olhos, mas sim de nos fazer refletir sobre o mundo em quem vivemos, sobre realidades que muitas vezes não temos contato ou nem sequer sabemos existir.  E isso é o que há de mais maravilhoso nessa mostra. O fato de haver pessoas dispostas a arriscar suas vidas para mostrar a realidade desse mundo, porque fotos em guerra não são exatamente fotos seguras. É preciso coragem e um certo distanciamento pra se conseguir estar no meio do caos e ainda assim realizar o trabalho de capturar esse caos em imagens para que o resto da humanidade sinta um pouco do que essas pessoas sentem. O fotojornalismo sempre teve essa função mais "crua", e mesmo no caso das fotos de esportes, que não são fotos violentas, quando o fotógrafo consegue congelar o exato momento em que um atleta salta no ar antes de cair na piscina, de como seus olhos fixam o além, de como sua mente está focada, de como cada músculo de seu corpo age, o resultado para mim são imagens impressionantes. 
        Na minha humilde opinião, o World Press Photo não é só uma mostra de fotografia. É uma aula de biologia, de geografia, de sociologia, é uma aula de vida e de mundo. Essas imagens valem muito mais do que palavras, com toda a certeza. 
        Esse ano a mostra esteve exposta no Rio de Janeiro entre os dias 29 de julho a 23 de agosto. O jeito agora é esperar pelo ano que vem. Por sinal, as inscrições para a edição 2010 estarão abertas a partir de 1º de dezembro, pela internet.




20 de nov. de 2009

Uma breve apresentação...

Sinto que antes de começar a despejar informações aqui eu deva falar um pouco sobre como surgiu esse blog. Não vou voltar aos tempos de colégio nos quais eu era elogiada nas aulas de redação, não se preocupem. O que se passa é que depois de me graduar em arquitetura resolvi que não queria ser arquiteta (!), e não sabia o que fazer da minha vida. Após 6 meses de crise existencial resolvi começar a investir na fotografia, que já era um hobby sobre o qual eu recebia alguns elogios. Fiz um curso aqui, outro lá (se quiserem ver meu currículo tem no meu site) e o que era um hobby se tornou uma paixão e um estilo de vida. E agora aqui estou em, em Barcelona, fazendo uma pós-graduação em fotografia e vivendo tudo de fotográfico que essa cidade tem a oferecer. E tem coisa! Então conversando com o pessoal do Câmera Viajante, de Porto Alegre, tivemos a idéia de criar um blog como "correspondente fotográfica". E assim eu começo...

No começo do mês fui a um ciclo de palestras muito bom. Se chama TRAFIC 09 - Experència Fotográfica - http://www.traficbcn.org/ - e durou 4 dias. Foi realizado no CCCB - Centre de Cultura Contemporànea de Barcelona, onde também está sendo exposto o World Press Photo (mas sobre isso eu falo no próximo post) e tem uma livraria sensacional pra quem busca livros de artes e fotografia. O Trafic acontece há 3 anos aqui em BCN e conta com a presença de alguns dos melhores fotógrafos da atualidade, que dividem conosco suas experiências, dicas e trabalhos. Infelizmente não pude ir todos os dias, mas tive a honra de assistir personalidades como Bruce Gilden e Carl de Keyzer, da mundialmente conhecida agência Magnum Photos - http://www.magnumphotos.com/ - conversarem com o público, contarem suas histórias e vivências e até mostrarem trabalhos inéditos. Tudo feito de um modo super acessível, como uma conversa, onde se podia fazer perguntas depois ou conversar com os participantes após as palestras. O tempo foi curto, mesmo ficando sentada por mais de 4 horas. Saí com um gostinho de quero mais e pensando que se um dia eu chegar perto do nível desses profissionais, estou feita na vida!
Vale a pena dar uma olhada no site da Trafic. Olhando em programação fala um pouco de cada participante desse ano, e é uma ótima forma de conhecer trabalhos de pessoas competentes e criativas que não foram escolhidas para estar alí por acaso.

Por hoje fico por aqui, mas aguardem novidades em breve. E boas fotos!